A casa de dentro.
Espelhos, escrivaninhas e gaveteiros para os gestos que acontecem fora da cena principal.
Há a casa que recebe. E há a casa que guarda.
A primeira aparece na sala, na mesa, na passagem. A segunda vive em outra escala: na gaveta que organiza papéis, no espelho antes da saída, na superfície onde se escreve, no móvel que recolhe aquilo que não precisa estar à vista.
Esta curadoria reúne peças para essa geografia privada — escrivaninhas, cômodas, gaveteiros, espelhos e móveis de apoio em escala próxima. São peças que acompanham a escrita, o preparo, a rotina de trabalho, a pausa antes de sair e o retorno do corpo ao próprio ritmo.
Aqui, o detalhe importa mais que o efeito: uma gaveta que desliza precisa, um puxador em latão escovado, uma lâmina de madeira que continua pela quina, um espelho que não enfeita — devolve medida.
São móveis de reserva. Não organizam a visita. Organizam aquilo que a casa guarda para quem vive nela.