A herança moderna, sem nostalgia.

Sérgio Rodrigues, Tenreiro e Zanine abriram uma gramática; esta curadoria lê o que ela ainda permite desenhar no presente.

Há uma modernidade brasileira que não envelheceu. Ela está na madeira que sustenta a forma, no encaixe que dispensa explicação, na proporção que organiza o espaço sem ocupar o centro da cena.

Sérgio Rodrigues, Tenreiro e Zanine não deixaram apenas móveis: deixaram uma sintaxe — uma maneira de pensar estrutura, corpo e permanência.

Esta curadoria parte dessa herança sem tratá-la como relicário. Reúne peças que reconhecem a escola moderna brasileira, mas não a reproduzem como citação. O que interessa aqui não é a nostalgia do desenho consagrado; é o que ele ainda permite quando encontra autores de agora, novas escalas, outras casas e a mesma exigência material.

No conjunto, madeira, gesto e proporção voltam a ser linguagem. As peças não homenageiam o passado: continuam dele apenas o que permanece vivo.

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